É possível recuperar uma pele envelhecida pelo sol?

É possível recuperar uma pele envelhecida pelo sol? | StopCigarros
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É possível recuperar uma pele envelhecida pelo sol?

Manchas, rugas e textura irregular têm uma explicação concreta, com limites reais sobre o que pode melhorar.

Você pode achar que o problema foi só se expor demais ao sol durante anos.
Mas se além disso você fuma ou já fumou, havia outra circunstância trabalhando em paralelo.

O sol e o cigarro não danificam a pele por caminhos completamente separados. A radiação solar gera estresse oxidativo que ativa enzimas capazes de degradar o colágeno e a matriz da pele; o cigarro gera esse mesmo estresse oxidativo por outra via, e além disso reduz a produção de colágeno novo. O problema não é só perder mais estrutura: também fica mais difícil reconstruí-la. Uma pessoa que fumou durante anos e além disso teve muita exposição ao sol não estava submetendo a pele simplesmente a dois fatores independentes: parte do dano de ambos acaba afetando os mesmos sistemas que mantêm o colágeno e a estrutura da pele. Por isso não me surpreende que, em um estudo, pessoas que combinavam tabagismo intenso com exposição solar elevada tenham apresentado um risco de rugas 11,4 vezes maior do que pessoas da mesma idade que não fumavam e tinham menor exposição ao sol.

Isso eu venho observando no consultório há trinta, quarenta anos, muito antes de entender bem o mecanismo por trás: quando alguém fuma, a pele não recebe só mais um golpe. Ela trabalha pior para fabricar colágeno novo e para reparar o que já estava danificado. Por isso, mais do que perguntar quanto sol aquela pele tomou, prefiro perguntar em que condições ela teve que se virar com esse sol, durante todos esses anos. A pele começa a recuperar essa margem quando você para de fumar, ainda que o dano deixado pelo sol seja, em boa parte, outra questão.

Mulher fumando na praia com manchas e rugas visíveis na pele causadas pela exposição solar - stopcigarros.com Dr. Humberto Pallares
Duas exposições atuando sobre a mesma pele, ao mesmo tempo.

1O que é o fotoenvelhecimento e no que ele se diferencia do envelhecimento normal?

O envelhecimento normal acontece com o passar do tempo em toda a pele igualmente, de forma lenta e bastante previsível. O fotoenvelhecimento é diferente: aparece antes do esperado, de forma desigual, e principalmente nas áreas que mais receberam sol ao longo dos anos, como o rosto, o colo e as costas das mãos. Por isso é comum ver diferenças notáveis entre a pele dessas áreas e a de outras que ficaram habitualmente cobertas.

2Por que aparecem manchas, rugas e textura irregular por causa do sol?

A radiação ultravioleta produz vários tipos de dano ao mesmo tempo. Estimula a produção de melanina de forma desigual, o que origina manchas e um tom desuniforme. Ao mesmo tempo, gera radicais livres que degradam o colágeno e a elastina da pele, o que produz rugas e uma perda de firmeza parecida, embora por um mecanismo diferente, com a que vimos na página sobre elasticidade da pele. Esse mesmo dano acumulado afeta também a superfície celular, o que explica a textura mais áspera ou irregular ao toque.

3O dano solar se acumula mesmo que eu não tenha me queimado?

Sim. O dano solar não depende de ter tido uma queimadura visível: ele vai se acumulando a cada exposição, ano após ano, mesmo em dias em que a pele não mostrou nenhuma mudança imediata. É um dano silencioso que só fica evidente depois de muito tempo.

Como saber se minha pele tem dano solar?
Os sinais mais frequentes são manchas de tom castanho-claro em áreas expostas, textura mais áspera ao toque, perda de luminosidade e rugas finas que aparecem antes do esperado para a idade. Não é preciso ter histórico de queimaduras para apresentá-los.
O bronzeado também danifica a pele mesmo sem eu me queimar?
Sim. O bronzeado é, em si, uma resposta da pele ao dano que a radiação UV produz no DNA celular, não um sinal de pele protegida.
O sol que entra pela janela do carro ou do escritório também danifica a pele?
O vidro comum bloqueia grande parte da radiação UVB, mas pode deixar passar uma proporção importante de UVA. Por isso, exposições prolongadas perto de determinadas janelas ou durante muitas horas ao volante também podem contribuir para o dano acumulado, mesmo sem a sensação de estar «tomando sol».
Dias nublados também produzem dano solar?
Sim. Boa parte da radiação UV atravessa as nuvens sem ser totalmente filtrada, então o dano solar pode continuar acontecendo mesmo em dias cinzentos.
O sol que tomei quando era jovem ainda afeta minha pele agora?
Sim. O dano solar se acumula ao longo de décadas, e boa parte do que se vê na pele adulta corresponde a exposições de anos ou até décadas atrás.
Pessoas de pele mais escura também sofrem fotoenvelhecimento?
Sim, embora de forma diferente: costuma se manifestar mais como alterações de pigmentação do que como rugas profundas, e em geral aparece mais tarde do que em peles claras.

4Que parte do dano solar pode ser revertida e qual não?

As manchas e boa parte da textura irregular costumam melhorar mais do que a perda profunda de colágeno. Depende do tipo de dano que estamos olhando: as alterações de pigmentação e a textura irregular costumam responder bem a tratamento e ao tempo sem nova exposição, enquanto a perda mais profunda de colágeno é mais difícil de reverter completamente, embora possa melhorar parcialmente com a abordagem certa. Não é tudo ou nada: é uma questão de grau.

5Aos 50 ou 60 anos já é tarde para reparar o dano solar?

Não. A pele conserva certa capacidade de resposta em qualquer idade, e frear a exposição futura continua trazendo benefício real mesmo quando já existe dano acumulado de muitos anos. A melhora costuma ser mais moderada do que se começasse jovem, mas continua sendo uma melhora concreta.

6Quais tratamentos têm evidência para o dano solar?

Os retinoides tópicos e os ácidos esfoliantes costumam ser usados para melhorar textura e pigmentação superficial, favorecendo a renovação celular, sendo os retinoides os que contam com o respaldo mais consistente. Para manchas pontuais mais marcadas, certos dispositivos de luz ou laser pigmentar podem ajudar, embora a evidência e os resultados variem conforme o equipamento, o protocolo e o tipo de pele. Nem todos os tratamentos atuam sobre o mesmo tipo de dano, por isso é preciso ver o que faz sentido em cada caso.

7O protetor solar serve mesmo quando o dano já está feito?

Sim. A fotoproteção diária tem evidência direta de que pode frear a progressão do fotoenvelhecimento, mesmo quando já existe dano acumulado. O protetor não apaga o dano anterior. Evita continuar somando dano novo enquanto tratamos o que já existe.

8É possível prevenir o fotoenvelhecimento em qualquer idade?

Sim. Começar a se proteger em qualquer momento da vida reduz a velocidade com que aparecem novos sinais, mesmo que já exista dano acumulado de anos anteriores. Não é preciso ter começado jovem para que valha a pena começar agora.

Nunca é tarde para parar de somar dano à sua pele.
E isso, também, é uma forma de começar a recuperá-la. STOPCIGARROS.COM DR. HUMBERTO PALLARES
Dr. Humberto Pallares, médico especializado em cessação do tabagismo - stopcigarros.com Dr. Humberto Pallares
Dr. Humberto Pallares
Médico especializado em cessação do tabagismo
30 anos acompanhando novos ex-fumantes
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