Fumar acalma a ansiedade ou só alivia a abstinência de nicotina?
Entender se o cigarro realmente acalmava a ansiedade ou se apenas aliviava, por alguns momentos, um desconforto criado pela própria dependência.
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O alívio que sentia ao fumar podia ser real.
A pergunta importante é: qual desconforto o cigarro realmente aliviava?
Ao fumar, o alívio podia ter mais de uma origem. Em alguns momentos, o cigarro reduzia temporariamente o desconforto ligado à falta de nicotina; em outros, coincidia com uma pausa, algum movimento, uma mudança de ambiente ou o fim de uma tarefa. Ao reduzir ou deixar de fumar, entram simultaneamente em jogo a Fisiologia adaptativa, o Metabolismo adaptativo e o Comportamento adaptativo, embora cada processo possa ter um peso diferente em determinado momento.
Nem todo alívio sentido ao fumar tinha a mesma origem. Perceber essa diferença muda a forma de entender o papel que o cigarro desempenhava.
Isso é útil tanto durante a redução antes da data escolhida para parar quanto depois de algum tempo sem fumar, quando uma antiga sensação de tensão volta a aparecer.
As perguntas seguintes ajudam a distinguir o que o cigarro aliviava temporariamente daquilo que realmente precisava de uma resposta.
Por que fumar pode dar uma sensação imediata de alívio?
Porque fumar pode produzir alívio por mais de um caminho: pode reduzir temporariamente o desconforto da abstinência de nicotina e também coincidir com uma pausa, uma mudança de ambiente ou o fim de uma tarefa. Sentir alívio não significa necessariamente que a causa da ansiedade tenha sido resolvida.
O cérebro aprende associações quando uma experiência se repete muitas vezes. Se durante anos fumar coincidiu com parar por alguns minutos, afastar-se de uma situação ou encerrar uma tarefa, parte da sensação de alívio pode ter ficado associada ao cigarro, mesmo quando vinha também da própria pausa.
Quando lembrar de um cigarro que parecia acalmar, pergunte-se o que mais acontecia naquele momento. Muitas vezes, é aí que aparece a necessidade que estava por trás do gesto de fumar.
A nicotina acalma a ansiedade ou apenas alivia a abstinência de nicotina?
A nicotina pode aliviar temporariamente o desconforto causado pela própria abstinência, mas fumar não é tratamento para a ansiedade. Quando a ansiedade tem outra origem, o cigarro pode mudar a sensação por alguns minutos sem resolver a causa.
Quando um comportamento reduz rapidamente um desconforto, aumenta a tendência de repeti-lo. O cérebro aprende que fumar parece funcionar naquele momento, mesmo quando parte do mal-estar foi produzida pela própria dependência de nicotina.
Perceber essa diferença ajuda a não confundir o alívio da abstinência com a solução de uma ansiedade que tem outra causa.
Isso não significa que a causa tivesse sido resolvida. STOPCIGARROS.COM DR. HUMBERTO PALLARES
Por que a tensão volta depois de algum tempo sem fumar?
Porque podem reaparecer duas coisas diferentes: o problema que já causava tensão, se não foi resolvido, e o desconforto da abstinência após algum tempo sem nicotina. Por isso, o alívio provocado pelo cigarro podia ser apenas temporário.
Um comportamento capaz de produzir alívio rápido pode repetir-se durante anos sem modificar a causa original do problema. A sensação de "estou melhor agora" pode ganhar mais importância do que perceber por que a tensão volta sempre que passa algum tempo sem fumar.
Separe alívio de solução. Se existe um problema concreto, procure qual ação pode realmente modificá-lo e qual apenas faz o desconforto desaparecer durante alguns minutos. Para cortar o mal pela raiz, é preciso olhar além do alívio imediato.
Como aprender a encontrar calma sem depender de um cigarro?
O primeiro passo é identificar o que o cigarro acompanhava naquele momento: uma pausa, movimento, distância, distração ou companhia. Depois, essa necessidade pode receber uma resposta direta, sem que o cigarro precise fazer parte dela.
O cérebro pode aprender novas respostas para situações conhecidas. Não é necessário mudar tudo de uma vez. Um passo de cada vez, novas experiências mostram que a mesma necessidade pode ser atendida sem fumar.
Conserve a necessidade e mude a resposta. Se precisava de uma pausa, faça uma pausa. O que se elimina é o cigarro, não o direito de parar por alguns minutos. Quando movimento ajuda a reduzir a tensão, esse princípio também aparece em o poder da atividade física para deixar de fumar com menos ansiedade.
Mude a resposta. STOPCIGARROS.COM DR. HUMBERTO PALLARES
Conceito desta página
Fisiologia adaptativa · Metabolismo adaptativo · Comportamento adaptativo: três processos que ocorrem simultaneamente e não podem ser separados por completo, embora um deles possa ter mais peso em determinado momento. A Fisiologia adaptativa compreende os reajustes do organismo diante da redução progressiva e da posterior interrupção da exposição habitual ao fumo do tabaco e à nicotina. O Metabolismo adaptativo acompanha essas mudanças enquanto o organismo procura um novo equilíbrio. O Comportamento adaptativo aparece quando a pessoa passa, sem fumar, por situações que durante anos estiveram associadas ao cigarro. Nesta página, Fisiologia adaptativa e Comportamento adaptativo ficam especialmente visíveis: o organismo se ajusta à redução ou interrupção da nicotina, enquanto a pessoa aprende a conservar aquilo de que precisava — pausa, distância, movimento, distração ou companhia — sem depender do cigarro. O Metabolismo adaptativo continua fazendo parte do mesmo processo, mesmo sem ser o elemento principal desta explicação.
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